Senado debate a intolerância religiosa

“Chuta que é macumba”. A ordem foi cumprida à risca em um colégio no Rio de Janeiro. A menina foi massacrada por colegas e ficou com o rosto deformado. A motivação: a criança chegou à unidade de ensino com um torso na cabeça, próprio dos adeptos do candomblé.  Os detalhes da barbárie foram dados à Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, presidida pelo senador Paulo Paim (RS), na manhã de quarta-feira (16/9).

A audiência foi pedida pelo senador Cristovam Buarque (DF) diante dos ataques aos terreiros dos municípios goianos vizinhos ao Distrito Federal. Em menos de um mês cinco casas afrorreligiosas foram vítimas de vandalismo — destruídos e incendiados. Na Bahia, um sacerdote candomblecista foi assassinado, no último fim de semana, diante da família.

As delegacias de polícia de Goiás sequer registram boletim de ocorrência. As que o fazem não investigam os episódios que caem na vala comum do arquivo de casos sem solução. Os detalhes das denúncias podem ser conhecidos no vídeo abaixo a audiência pública. Os principais suspeitos dos crimes são os evangélicos neopentecostais, cujos líderes satanizam e têm incitado os fiéis a combater as casa afrorreligiosas, em franco desrespeito à Constituição Federal.

Entre 2014 e 2015,  a Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade
Racial (Seppir), da Presidência da República, recebeu mais de 200
denúncias de desrespeito às casas de matriz africana. Ainda assim, o
Estado brasileiro tem sido omisso, não apura e nem toma as providências
adequadas para a punição dos agressores, movidos, sobretudo, pelo
racismo.

 

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