FONSANPOTMA PARTICIPA DO PROGRAMA CAFÉ COM NOTÍCIA E ABORDA A PRIVATIZAÇÃO DO MERCADO PÚBLICO RS

Por Alessandra Folyver 

Na manhã desta quarta-feira (17/06) o programa virtual café com notícia apresentado pela Manuela D’ Avila pré- candidata a prefeita de Porto Alegre com mais de um milhão de seguidores, teve a participação da coordenadora executiva do Fonsanpotma Municipal de Porto Alegre e conselheira do CONSEA RS, Itanajara de Almeida, a coordenadora do Colegiado Setorial de Memória e Patrimônio e Conselheira do Conselho Municipal de Cultura Jaqueline Custodio, a Deputada Estadual (PT-RS) Sofia Cavedon e o Vereador (PT- POA) Adeli Sell, com um debate sobre o edital de privatização do Mercado Público de Porto Alegre 

O projeto prevê que o parceiro privado realize a reforma, restauração, requalificação, manutenção, operação e exploração do espaço pelos próximos 25 anos. A previsão de investimento é de R$ 40 milhões na qualificação dos espaços de um dos maiores símbolos de Porto Alegre. 

Segundo Adeli Sell, a população de Porto Alegre realizou uma coleta de assinaturas contra a privatização do mercado público são mais de 25000 assinaturas e continuaram coletando até o dia 30 de junho, além da questão imaterial no qual tem um registro antropológico de todo o sítio da região do mercado que vai desde a área portuária. 

“Nós estamos fazendo cópias digitais que serão entregues digitalmente ou fisicamente a prefeitura. Caso o prefeito não aceite será protocolado no tribunal de contas, no Ministério Público com o promotor de Justiça Fabiano Dallazen que provavelmente irá encaminhar para a promotoria de urbanismo que está acompanhando esse caso, pois está claro que o edital de concessão do mercado nada mais é do que a privatização do mesmo, devido processo de colocar na mão de uma empresa privada durante 25 anos, além disso temos documentos para  a questão imaterial como a área aterrada e o Bará do mercado que possui uma simbologia além da marca física”, afirmou. 

De acordo com Jaqueline Custodio, a estrutura do mercado é uma história de 150 anos com estilo neoclássico, sendo um patrimônio material com um lugar de memória e identidade cultural e comercial. 

“Estamos perdemos espaços que são icônicos e representam a nossa identidade, assim como o cais, o mercado é fundamental, sendo um espaço multicultural. Seu tombamento significa que ele foi algo importante para uma sociedade e teve uma história dentro da cidade. Por esse motivo temos o registro do Bará do mercado e o tombamento do prédio”, esclareceu. 

Conforme, Itanajara Almeida, que fala sobre a suma importância que o mercado público representa para a tradição dos povos de matriz africana. 

 “A prefeitura está pensando no momento, mas não pensam em como vai ser a partir da privatização. Porém, nós povos de matriz africana pensamos culturalmente no mercado público e na ancestralidade do Bará, como seu ponto de luz, o seu corpo de início, pois antes mesmo daquele prédio ser construído o povo tradicional de matriz africana já estava lá porque eles já tinham chegado dos navios Negreiros sequestrados da sua Terra mãe e trazidos para cá, tratados e condicionados à escravidão, eles vieram como pessoas livres e chegaram aqui como escravos, mas eles trouxeram ancestralidade ókuta do Bará para ser plantado no Rio Grande do Sul , nós estamos falando do processo anterior da construção, quando o príncipe Custódio plantou o Bará e construiu o prédio em volta ele fez  quatro saídas que foram mantidas desde então. É do cruzeiro do Bara que estamos falando. Alí nós iniciamos e terminamos nossas obrigações e somos responsáveis por aquele orixá que está ali. Se tirarmos o Bará o que será de nossa cultura, nós merecemos respeito, pois foi o sangue de nossos ancestrais que foram derramado lá para construir esse prédio”, relatou.  

É importante ressaltar que o projeto, possui uma clausula que impedi atos religiosos dentro do Mercado Público, uma forma clara de intolerância, que deixa implícito no discurso que a limpeza também consiste em retirar a história de um povo. 

A Sofia Cavedon, afirmou que esse projeto tira toda a identidade do mercado, e o coloca em uma forma rentável, assim como foi o Camelódromo de Porto Alegre. 

“As colocações feitas nesse debate afirmam o porquê não deve ser feita a privatização do mercado. Como gestor olha cidade com um possível mercado rentável? Eu faço uma analogia ao Camelódromo no qual foi feita um caixa de concreto, sem estética nenhuma, em cima da rua Júlio de Castilho. Este modelo não sobreviveu, pois tem um intermediador, tem alguém no meio fazendo dinheiro e os camelos, aquelas senhoras que vendiam meias artesanais, tiveram que ir embora. Isso é o que irá acontecer com o mercado haverá um intermediador e as bancas começaram a se extinguir. Essa estrutura que foi montada, o projeto está totalmente condenando o patrimônio imaterial do Mercado Público. Devemos o quanto antes resolver a questão imaterial do Bará, assim como o prédio”, afirmou. 

O programa encerrou com a apresentadora Manuela D’ Avila, fazendo uma reflexão sobre ações que estão ocorrendo durante a pandemia, nos quais as pessoas se aproveitam da situação para se desfazer de um patrimônio cultural e mudar as questões sociais. Tendo dinheiro disponível de mais de R$10 milhões de reais do Fundo Municipal para a Restauração, Reforma e Manutenção do Mercado Público Municipal (FUMERCADO), que poderia ser utilizado e assim retornar as atividades e ações culturais que haviam no local e que hoje o espaço está inativo.  

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