Firmeza das mulheres negras frustra tentativa de sabotagem de ultradireitistas

Marcha das Mulheres Negras reuniu mais de 20 mulheres de todos os cantos do país e parou o centro da capital federal, com a mensagem de luta contra o racismo, a violência e em defesa do direito de bem viver.  A agressão de conservadores não conseguiu atrapalhar o movimento
 
O que se pode esperar de golpistas da ultradireita? Não poderia ser nada diferente do que ocorreu na Marcha das Mulheres Negras, que reuniu mais de 20 mil mulheres de todos os cantos do país, entre elas, as integrantes do Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana (Fonsanpotma). O acampamento de um grupo extremistas, diante do Congresso Nacional, disparou tiros e atirou bombas contra os participantes do movimento. O intuito não foi só estabelecer o pânico, mas também expressar o racismo, próprio de quem, movido pelo discurso de ódio, só conhece a violência como forma de expressão.Subjugar pessoas. Inferiorizá-las, como fizeram os senhores de engenho e seus capatazes, estão entre as características dos acampados que exigem o impeachment de Dilma Rousseff e a volta da ditadura militar. Movidos pelo ódio, base ideológica dos racistas, os homens do acampamento tentaram sabotar a Marcha das Mulheres Negras, contra a violência, o racismo e pelo bem viver. Não conseguiram.

O bando acampado na Esplanada é formada por agentes públicos com passagens recorrentes pelas delegacias de polícia. Um dos integrantes chegou a ser detido no fim de semana passado com um veículo lotado de explosivos. Os autores dos disparos são policiais civis — um do Distrito Federal e outro do Maranhão — assíduos conspiradores contra o legítimo direito de manifestação dos setores organizados da sociedade.

CONTRAORDEM

No fim da tarde, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros, deu contraordem: a Polícia Federal será provocada a fazer investigação rigorosa sobre os integrantes do acampamento; e Polícia Militar será convocada retirá-los do local. De acordo com a legislação do Distrito Federal, são proibidos acampamentos no gramado da Esplanada dos Ministérios. Mas Eduardo Cunha, fundamentalista, arrogante e prepotente, acusado de participação no esquema de corrupção da Petrobras, de evasão de dinheiro para a Suíça — R$ 61 milhões foram identificados em seu nome no exterior — foi quem autorizou a permanência do bando diante do Congresso.

A Marcha das Mulheres Negras cumpriu a missão de alertar a sociedade para a violência e o racismo dos quais são vítimas no país. As negras somam mais de 49 milhões, no universo de 98 milhões de mulheres no Brasil. Nos dias que antecederam ao movimento na rua, elas estabeleceram diálogo com diversos representantes do governo federal no processo de construção de políticas públicas que atendam aos seus interesses. Foram dias proveitosos, com manifestações musicais e de arte; de encontro e reencontro entre mulheres que se conhecem, mas vivem em regiões diferentes; de troca de conhecimento e de informações. Enfim, foram dias de paz e de bem viver.

Texto: Rosane Garcia || Foto: internet

Ultradireitista tenta atacar mulheres da Marcha diante do Congresso Nacional

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.