Economia e cooperativismo de matriz africana

Representantes de povos bantus, jejês e iorubás se reúnem, em Porto Alegre (RS), entre 17 e 19 deste mês, para consagrar modelo tradicional de produção e consumo e resgatar uma estrutura econômica violentada pela cultura eurocêntrica. O encontro promete fortalecer a agricultura familiar tal como sempre se deu na história do continente.

Solon Dias

O Fórum Nacional de Saúde Alimentar e
Nutricional dos Povos Tradicionais de Matriz Africana
(Fonsanpotma) e a coordenação
regional da entidade promovem, entre os dias 17 e 19 próximos, em Porto Alegre (RS), o Encontro
Estadual para Cooperativismo dos Povos Tradicionais de Matriz Africana.
O Fórum proporá modelo de
desenvolvimento que garanta ações no âmbito econômico e social
para os Povos Tradicionais de Matriz Africana. Desde sua fundação,
o Fonsanpotma defende a apropriação, pelos povos originários da
África, dos meios de produção, a autogestão econômica e sua
autodeterminação segundo os métodos tradicionais.
A forma de produção e consumo
imposta, desde o início das grandes navegações, pelos europeus
invasores e colonizadores do continente africano e das Américas,
abortou todo o conhecimento cultural e econômico aplicado pelas
populações da região originária. Agora, os meios de produção e
consumo próprios dos africanos e seus descendentes, vítimas da
diáspora lutam pelo resgate do modelo tradicional.
No encontro de Porto Alegre, poderá
ser bem mais percebida a forma de organização do sistema de
produção, comercialização e consumo, de prestação de serviços
e de mercado próprios destes povos. O modelo tem fundamento
sustentável, construído com a perspectiva da preservação
ambiental, da soberania alimentar e da visão de mundo da tradição
dos Povos Tradicionais de Matriz Africana.
A coordenadora nacional do Fonsanpotma,
Regina Nogueira, kota Mulanji, explica que o empenho do Fórum na
institucionalização e difusão desse modelo é orientado para
garantir o pleno desenvolvimento socioeconômico destes povos,
promovendo e difundindo o cooperativismo. Esta é uma forma, diz a
coordenadora, de resgatar a tradição e seus valores civilizatórios,
a cidadania, os territórios e a territorialidade, além de
fortalecer a agricultura familiar dos Povos Tradicionais de Matriz
Africana.

LOCAL DO ENCONTRO
Edifício Dabdad, 9º andar
Praça Parobe, nº 130
Centro de Porto Alegre
Rio Grande do Sul
 

PROGRAMAÇÃO
17/2/2016 – Quarta feira
8h – Credenciamento e Ajeum – Kudia
8h30 – Atividade cultural e
integradora – Contextualização histórica.
» Saudação aos Povos/Nação Bantu
(kabinda, kinbanda, Umbanda), Jeje, Yarubá (Nago, Oyo, Ijexá)
» Dinâmica de Grupo – Apresentação.
Objetivo: Saudar e reafirmar a
ancestralidade, conhecer e se reconhecer na existência dos
diferentes povos/nações no RGS oriundos da disporá africana,
fortalecer a integração dos mesmos na construção da cidadania
brasileira e da soberania dos Povos Tradicionais.
9h — Mesa Abertura (Saudação)
» Coordenação Nacional Fonsanpotma
(Kota Mulanji).
» Coordenação Estadual Fonsanpotma
(Iyá Vera Soares — coordenação do encontro).
» Coordenador Financeiro Fonsanpotma –
G.T. Cooptma/RS (Baba Omi Luciano de Oxalá).
» CAMP — Escola de Cidadania –
Conselho Gestor da Região Sul (Daniela Tolfo).
» CAMP — Escola de Cidadania –
Projeto Fortalecimento e Expansão das Iniciativas de Fundos
Solidários na Região Sul (Elisiane Jahn)
Objetivo: Apresentar
sucintamente as razões para a realização do encontro, reafirmando
a importância e a parceria entre as instituições Camp e
Fonsanpotma e das Lideranças dos Povos Tradicionais de Matriz
Africana, para o estabelecimento de um novo marco conceitual que
resgata identidades, busca soberania e se posiciona frente a
sociedade e ao Estado a partir dos seus próprios valores
civilizatórios e inaugura a entrada dos Povos Tradicionais para o
século 21, e ainda, apresenta uma alternativa, um modelo de
desenvolvimento sustentável que vem ao encontro dos princípios da
participação democrática, da autogestão, do fortalecimento
coletivo e da integração dos Povos através do cooperativismo,
portanto, um modelo de desenvolvimento econômico e social “a
primeira Cooperativa de desenvolvimento dos Povos Tradicionais da
Matriz Africana”, que retira o Povo Tradicional da invisibilidade
econômica visando organizar e desenvolver, produção e consumo, e
assim contribuir com o desenvolvimento humano e a justiça social.
9h30 — Painel: Princípios do Fórum
Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Tradicionais
de Matriz Africana – Fonsanpotma (Tata Edson)
Objetivo: Constituir um elo que
liga os Povos Tradicionais de Matriz Africana com o século XXI,
demonstrar a importância da participação dos Povos Tradicionais
nos Fóruns Nacional, Estadual e Municipal em quanto instância
participativa e democrática e apresentar uma proposta de
desenvolvimento econômico, sustentável: uma Cooperativa de
Consumidores e Produtores dos Povos Tradicionais de Matriz Africana.
10h15 — Ajeum — Kudia
10h30 — Painel: Definindo um novo
marco conceitual — Quem nós somos? (Kota Mulanji)
Objetivo: Reestabelecer e
reafirmar os valores civilizatórios e a visão de mundo dos Povos
Tradicionais de Matriz Africana compreendendo a sua soberania
alimentar, linguística, cultural e ancestral. Reafirmar a
ancestralidade, a manutenção da identidade e da tradição dos
Povos oriundos da diáspora Africana, combater a invisibilidade
sustentada por conceitos assentados em valores coloniais,
eurocêntricos, homogêneos, e racistas, bem como, conceitos e
teorias explicativas que não compreendem ou se quer chegam perto dos
valores civilizatórios dos Povos Tradicionais.
12h — Ajeum — Kudia
14h – Atividade cultural (Pai Julinho
de Oxalá & Bia da Ilha)
14h30 — Mesa de Controvérsias e
Diálogo para o desenvolvimento dos Povos e Comunidades Tradicionais
de Matriz Africana (Mediador: Fonsanpotma/Coord. Kota Mulanji e
Mediação Richard Gomes — Seppir/MDA/MDS/Consea/Fundação
Palmares/Senaes — MTE/Emater/RS).
Objetivo: Discutir a construção
do Segundo Plano Nacional de Desenvolvimento dos Povos e Comunidades
Tradicionais de Matriz Africana, a Conferência de ATERs —
Assistência Técnica Rural e Social, o acesso à terra e a
territorialidade, a reordenação agrária, a reestruturação da
agricultura familiar tradicional de matriz africana e seus desafios,
a DAP tradicional, a soberania alimentar, a segurança alimentar
nutricional sustentável, o reconhecimento pelo Estado do novo marco
conceitual que define os Povos Tradicionais de Matriz Africana e a
colaboração do Estado e de seus mecanismos de desenvolvimento para
a construção das Cooperativas através de incentivo, fomento e de
capacitação técnica.
16h10 — Intervalo Ajeum – Kudia
16h30 — Painel: Cooperativa Estadual
de Desenvolvimento dos Povos Tradicionais de Matriz
Africana (Organização Coletiva,
Produção, Consumo, Desenvolvimento Sustentável) – Na busca pelo
fortalecimento econômico e da justiça social (Fonsanpotma — Baba
Omi Luciano de Oxalá).
Objetivo: Reconhecer a
existência do cosumo e do potencial produtivo dos Povos Tradicionais
sob uma perspectiva tradicional e sustentável a partir da busca pela
soberania alimentar. Apresentar os objetivos do modelo de
desenvolvimento econômico e social para os Povos Tradicionais de
Matriz Africana a Cooptma/RS. E ainda, demonstrar que desenvolvimento
econômico pode ser associado a desenvolvimento ambiental e humano,
combate as desigualdades sociais, a invisibilidade, ao racismo e as
mais variadas formas de discriminação.
18h30 — Saudação aos Povos/Nação
Bantu (kabinda, kinbanda, Umbanda), Jeje, Yarubá (Nago, Oyo, Ijexá)
19h — Encaminhamento ao hotel.
21h – Ajeum – Kudia de
confraternização.
18/2/2016 – Quinta feira
8h30 — Início da I Oficina de
Finanças Solidárias com os Povos Tradicionais de Matriz Africana.
(CAMP — Centro de Assessoria Multiprofissional)
Objetivo: Apresentar as finanças
solidárias e suas diferentes possibilidades, fortalecer os vínculos
solidários do cooperativismo da autogestão econômica e contribuir
com a organização e o desenvolvimento econômico e social dos Povos
Tradicionais de Matriz Africana.
10h30 — Ajeum — Kudia
10h45 — Continuação da I Oficina de
Finanças Solidárias com os Povos Tradicionais de Matriz Africana
12h30 – Ajeum – Kudia
14h — Continuação da I Oficina de
Finanças Solidárias com os Povos Tradicionais de Matriz Africana
15h45 —Ajeum – Kudia
16h — Continuação da I Oficina de
Finanças Solidárias com os Povos Tradicionais de Matriz
Africana
18h —Encerramento
19h — Ajeum – Kudia
19/2/2016 – Sexta feira
8h — Atividade cultural e integradora
dos Povos Tradicionais Indígenas, Matriz Africana e Ciganos.
8h30 — Encontro dos Povos
Tradicionais para a construção do documento conjunto do Fórum
Social Mundial 2016: Paz, Democracia, Direito dos Povos e do Planeta.
Objetivo: Cumprir os
encaminhamentos feitos pelos Povos Tradicionais durante o FSM e
unificar os Povos Tradicionais em suas lutas a fim de pautar a
sociedade e os governos a cerca das reivindicações históricas
destes povos, além de demonstrar que outros mundos são possíveis.
10h40 — Ajeum — Kudia
11h — Continuação do Encontro dos
Povos Tradicionais para a construção do documento conjunto do Fórum
Social Mundial 2016: Paz, Democracia, Direito dos Povos e do Planeta.
11h45— Leitura e assinatura do
documento unificado dos Povos para o FSM.
12h —Ato cultural — Canto das três
raças.
12h15 — Ajeum – Kudia
14h — Encontro para articulação da
Teia das Frentes Parlamentares em defesa dos Povos Tradicionais de
Matriz Africana. Mesa de abertura e dialogo dos Povos Tradicionais
com os Parlamentares.
Objetivo: Consolidar a Teia das
Frentes Parlamentares em Defesa dos Povos Tradicionais de Matriz
Africana, e a construção da Frente Parlamentar Estadual e demais
municípios do estado. Discutir a importância das Frentes
Parlamentares e da participação dos povos tradicionais nos Grupos
de Trabalho para a construção de políticas públicas eficazes
vinculadas a políticas de Estado garantidas por lei.
16h30 — Leitura e assinatura da Carta
do Encontro Estadual para o Cooperativismo dos Povos Tradicionais de
Matriz Africana.

 

16h45 — Encerramento — Ato Cultural
e Ajeum — Kudia de alimento tradicional.

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