AÇÃO DAS MULHERES DO FONSANPOTMA CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DO MERCADO PUBLICO

Por Alessandra Folyver

A luta por direitos sempre foi o marco tradicional das mulheres que garante o legado deixado pelos seus ancestrais. 

Desde o surgimento do processo de concessão do mercado público de Porto Alegre/ RS, que essas mulheres lutam para não destruir uma história trazida pelo povo de matriz africana.  

Foram inúmeras audiências, Live em homenagem ao Bará do mercado, documentos que relatam a sua importância e o respeito que nossa tradição possui por aquele local sagrado para todos nós. 

O mercado emana uma forte energia que é trazida pelo orixá guardião deste lugar, e em meio a tantas crises o dinheiro nunca deixa de girar dentro desse polo comercial.  Essa herança traz na sua essência um segredo que é guardado dentro da tradição de matriz africana. Algo que tem uma simbologia significante e um poder supremo que nos abraça e está ligado à história desse povo que passou pela diáspora e até hoje defende e fomenta os nossos preceitos. 

Com isso o Fonsanpotma, através das mulheres, mostra que não podemos deixar que o bem cultural de natureza imaterial de Porto Alegre, o Bará do Mercado, não seja respeitado. 

Durante essa luta, o TCE deferiu parcialmente liminar suspendendo a Concorrência Pública n.º 10/2020 do Executivo Municipal de Porto Alegre, sobre a proposta de concessão de uso para reforma, restauração, requalificação, manutenção, gestão e operação do Mercado Público Central de Porto Alegre e a respectiva Consulta Pública (n.º 04/2019).  

 O principal motivo da suspensão da abertura dos envelopes não ter passado pela Câmara dos vereadores e a ausência de inclusão de termos que foram relacionados nas audiências públicas no edital, como o caso do Mercado Público ser considerado patrimônio imaterial cultural da cidade e a situação dos permissionários como terceira parte interessada no contrato.  

Apesar desta suspensão, temos uma longa trajetória, pois ainda não foi retirada a preocupação da privatização do Bará do Mercado, desta forma temos que continuar com a luta para o seu tombamento definitivo e seu controle pela sociedade civil. 

O Povo de tradição precisa se unir nessa luta, não se trata simplesmente de uma ação sem fundamento, ao contrário, é toda uma história envolvida referente a nossa cultura, espiritualidade e ancestralidade. 

Esse local foi uma conquista deixada pelos nossos ancestrais, então não é justo, nem correto, que hoje, por causa de uma modernidade, isso seja desrespeitado e ignorado. 

 Até porque esse local é sagrado, e como todo local sagrado, deve ser tombado e visto como patrimônio histórico, pois envolve a fé, a crença de uma sociedade que pode sentir-se agredida ou violentada por tais ações contra sua fé.